As decisões de política de distribuição são decisões constitutivas ou estruturais, porque influem de forma decisiva na estrutura da empresa e no emprego dos restantes instrumentos de marketing.

Portanto, a distribuição desempenha um papel preponderante no marketing mix.

A organização comercial, assim como o número e o tipo de órgãos da empresa, será diferente se utilizar o sistema de venda direta ou indireta, ou se a distribuição for extensiva ou seletiva.

A decisão sobre preços é condicionada pelo tipo de distribuidor utilizado.

A propaganda dependerá do grau de colaboração estabelecida com os intermediários.

O sistema de distribuição condiciona, pois, em alto grau, as demais decisões que influenciam o marketing mix.

Outro fator que acentua a necessidade de um estudo atento, antes de se tomar uma decisão nesse campo, é o elevado grau de permanência das decisões fundamentais da distribuição.

Não é fácil nem possível, muitas vezes, mudar de sistema de distribuição em prazos curtos.

Tanto o tempo exigido para implantar um sistema de distribuição como as consequências de uma mudança do mesmo dificultam e desaconselham as contínuas tentativas.

É fácil corrigir um erro ou mudar de política de preços, propaganda, promoção, condições de pagamento e entrega.

É porém, muito mais complexo fazê-lo no campo da distribuição.

Essa constatação não deve ser interpretada no sentido de que a empresa está condenada ao imobilismo neste campo.

Significa antes que as medidas a serem adotadas exigem certamente uma análise mais profunda.

Eis alguns fatos que devem ser considerados quando se encaram as decisões referentes à distribuição:

  • As formas de comércio estão em constante evolução.

O aparecimento de novos sistemas comerciais e, sobretudo, o auge das grandes unidades de venda e dos sistemas de venda por correspondência abriram uma forte concorrência aos estabelecimentos tradicionais.

  • A medida que a concentração vai produzindo grandes unidades comerciais (tanto no setor atacadista como no varejista) com maior capacidade de compra e mais vultosos meios financeiros promocionais e diretivos, os intermediários pugnam com os fabricantes para se alçarem à liderança da distribuição, chegando a colocar no mercado suas marcas.
  • Fabricantes de maior envergadura, dotados de meios de ação comercial mais poderosos (propaganda maciça, promoções, grandes redes de vendas, depósitos e escritórios regionais), conseguiram o controle da distribuição, assumindo funções antes executadas pelos merceeiros.
  • Apesar dessa mudança nos canais de distribuição muitas vezes os novos produtos não se encaixam em nenhum canal existente.

Isso obriga a empresa a realizar um esforço insólito de introdução do novo produto nos canais existentes, ou a criar novas vias de distribuição.

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Fonte: José M. Veciana Vergés – Doutor em Ciências Econômicas pela Universidade de Frankfurt, Catedrático e Diretor do Departamento de Economia de Empresas na Universidade de Barcelona.