Por atacadista entende-se a empresa comercial, distribuidora ou intermediária, que serve de ponte na distribuição entre fabricantes e varejistas.

O comércio atacadista é também chamado de grossista pelo fato de que, inicialmente, o distribuidor atacadista comprava e vendia em quantidades maiores do que o varejista.

Com a evolução das formas de comércio no varejo, essa circunstância já não ocorre sempre.

É notório que alguns comércios varejistas (por exemplo, grandes lojas) têm um volume de vendas superior a muitos atacadistas.

Portanto, hoje em dia, a característica do atacadista é seu papel de intermediário entre o fabricante e o varejista.

A decisão de utilizar o canal atacadista está condicionada por quatro fatores básicos: tamanho do pedido, distribuição geográfica, capacidade financeira e posição no mercado.

  • Tamanho do pedido.

Quanto maiores forem os custos fixos para a consecução e execução administrativa de um pedido, maior incidência terão nos pedidos pequenos que, por este motivo, se tornarão proibitivos.

Se o fabricante deve vender seus produtos a um número elevado de varejistas que compram em quantidades pequenas (tamanho pequeno do pedido), será mais econômico para ele vender através de atacadistas.

Desta maneira, não precisa montar e manter uma organização de venda externa grande e custosa, confiando ao atacadista as funções comerciais para chegar ao varejista.

  • Distribuição geográfica.

Se os varejistas estão espalhados em um amplo território, o estabelecimento e a manutenção do necessário contato com eles acabam sendo custos para o fabricante.

O atacadista local encontra-se mais próximo de seu círculo de clientes varejistas, que ele já visita para outros artigos.

  • Capacidade financeira.

A capacidade financeira do fabricante determina se há possibilidade de evitar o atacadista, ou necessidade de valer-se dele.

Para vender a varejistas, é necessária uma considerável capacidade financeira, não só para financiar as vendas como para estabelecer sua organização.

Se não existe tal capacidade, deve-se recorrer ao atacadista.

Com isso reduz-se também a manutenção de estoques e o risco de inadimplências inerente à função de financiamento que o atacadista assume.

  • Posição no mercado.

Quando a posição dos atacadistas no mercado é forte, será mais difícil ignorá-los ou competir com eles para chegar diretamente ao varejista.

As transformações que se vêm operando na estrutura do comércio, com a criação de cadeias voluntárias, fortaleceram consideravelmente a posição dos atacadistas.

Como os varejistas associados tendem a centralizar suas compras nos atacadistas, muitas vezes o fabricante só poderá chegar àqueles através destes.

No caso de produtos de consumo e de marcas com pouca penetração no mercado, o fabricante sempre deve considerar as possíveis ações dos atacadistas; portanto, muitas vezes, vê-se obrigado a recorrer a eles para conseguir sua penetração no mercado.

O canal varejista

Por comércio ou estabelecimento varejista entende-se aquele que vende ao consumidor final.

É também chamado de retalhista pelo fato de realizar vendas em pequenas quantidades ao consumidor, segundo suas necessidades.

Os critérios ou razões que movem os fabricantes à utilização do canal retalhista ou circuito curto são de índole muito diversa.

Quando o canal atacadista não executa exatamente as funções que justificam sua existência, ou então as executa com um custo excessivo, é lógico que o fabricante prescinda dele.

Nos casos em que a política de marketing do fabricante assume uma função importante, as ações continuadas de promoção de vendas tornam-se mais fáceis e fluidas quando existe um contato direto entre fabricante e varejista.

Também quando o fabricante opta por uma distribuição seletiva ou exclusiva, esta pode realizar-se com maior facilidade e fidelidade se a escolha, o controle e o acompanhamento dos varejistas ficam nas suas mãos.

Quando se chega à conclusão de que é conveniente e necessário usar o canal varejista, em geral costuma-se utilizar toda a variedade de estabelecimentos disponíveis em um setor ou mercado.

Não obstante, o fato de se vender indiscriminadamente a todos os comércios varejistas depende do tipo de distribuição que se escolha.

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Fonte: José M. Veciana Vergés – Doutor em Ciências Econômicas pela Universidade de Frankfurt, Catedrático e Diretor do Departamento de Economia de Empresas na Universidade de Barcelona.