A estratégia competitiva é o plano que a empresa tem para obter e defender, dentro de seu setor, uma vantagem competitiva que lhe permita resistir aos ataques da concorrência.

Para obter vantagens competitivas no setor em que operam, as empresas elaboram estratégias que objetivam antecipar-se às ações de seus concorrentes, presente e futuros.

Durante os últimos anos, o conceito de planejamento da atividade empresarial teve uma grande aceitação entre as empresas bem dirigidas.

Parece evidente que dispor de uma estratégia clara e explícita para guiar as ações diárias da empresa é melhor do que enfrentar a realidade de forma puramente improvisada, respondendo aos acontecimentos externos sem um plano claro de controle.

Muitos dos sistemas de planejamento atualmente em uso insistem numa série de perguntas que o executivo deve fazer a si mesmo sobre a melhor maneira de competir para a sua empresa, mas oferecem pouca ajuda na hora de responder a essas perguntas.

A finalidade deste trabalho é mostrar uma série de conceitos e de técnicas de análise, que ajudem a determinar a estratégia adequada para a empresa.

O modelo conceitual aqui descrito é fortemente influenciado pelas obras de Michael Porter, Competitive Strategy (1980) e Competitive Advantage (1985), ambas publicadas por Free Press.

Conceito de estratégia

Antes de continuar, talvez seja interessante recordar brevemente o que se entende por estratégia em uma empresa.

Embora se trate de um conceito intuitivo, usou-se muito nos últimos anos, e por isso possivelmente sejam úteis certas reflexões destinadas ao seu esclarecimento.

O primeiro componente da estratégia de uma empresa é a determinação dos seus objetivos finais, como por exemplo o crescimento, a rentabilidade, a participação de mercado, a responsabilidade diante de seus próprios trabalhadores e da sociedade em geral.

Tais objetivos têm, contudo, um caráter muito geral, e por isso a empresa deve determinar num segundo passo como consegui-los.

Levará em consideração que se encontra inserida em um mercado competitivo, não podendo fazer exatamente o que gostaria de fazer, sem levar em conta os outros.

Uma empresa têxtil pode considerar como objetivo, por exemplo, a obtenção de 10% de lucros sobre vendas.

Isso é alcançado de maneiras muito diversas: especializar-se em produtos de alta categoria e generosa margem, com vendas relativamente reduzidas; ou vender produtos muito populares a baixo preço, obtendo assim um volume que lhe permita reduzir custos e obter a rentabilidade desejada.

Em qualquer das hipóteses, é evidente que a empresa terá de estruturar-se de maneira diferente conforme o caminho escolhido, visto que terá necessidade de diferentes habilidades em produção, distribuição, marketing, contabilidade; tesouraria, finanças, etc.

O desenvolvimento e a prática das políticas adequadas para cada uma das facetas que compõem a atividade empresarial, em consonância com os objetivos fixados de antemão, constitui a estratégia da empresa.

Uma primeira característica que a estratégia deve possuir para ter êxito é ser coerente: não se pode ter políticas de pessoal e de marketing que sejam contraditórias, como seria o caso de contratar vendedores sem nenhuma formação básica para vender computadores a grandes clientes.

O segundo ponto fundamental é que a estratégia deve levar em consideração a realidade interna da empresa: as empresas, como as pessoas, têm virtudes e defeitos, pontos fracos e fortes; há coisas que a empresa sabe fazer e outras para as quais não está preparada.

Ainda há mais.

É provável que alguns diretores com imaginação e profundo conhecimento da organização sejam capazes de planejar várias alternativas estratégicas diferentes, todas elas consistentes e adequadas à empresa.

Qual delas deve ser adotada?

Não é suficiente a coerência interna: a estratégia deve ser coerente com o ambiente, isto é, deve ser estruturada levando em consideração os objetivos da empresa, suas realidades internas e também o ambiente no qual tem que competir.

Leia mais em:

Fonte: Josep Caries Jarillo – Master em Economia e Administração de Empresas pelo IESE – Instituto de Estúdios Superiores de La Empresa (Espanha) e Professor de Comportamento Humano no IESE.