Até o princípio da década de 80, quase não existia concorrência entre as empresas de consultoria, já que cada uma delas costumava ser reconhecida como a melhor em alguns temas concretos.

Geralmente as empresas de consultoria se especializam em um ou vários setores, ou atuam de preferência em uma determinada área funcional.

As mais famosas internacionalmente ou não estão especializadas, como a McKinsey and Company e a Management Analysis Center, ou têm tantas especialidades que parecem não ter nenhuma, como Booz, Allen and Hamilton e Arthur D. Little; ou então se especializam nos temas mais complexos, como o Boston Consulting Group dedicado quase exclusivamente à estratégia.

McKinsey and Company

Embora não seja a maior empresa nem em número de consultores nem em vendas, a McKinsey é claramente reconhecida como a empresa líder no mundo da consultoria.

Apesar do recente aparecimento de empresas especializadas em estratégia ou de outras empresas similares, a McKinsey continua à frente graças à sua capacidade de desenvolver boas relações com os clientes e à sua grande penetração internacional.

A americana McKinsey foi pioneira na expansão internacional.

Durante sua longa história, contribuiu com todo tipo de ideias para o mundo empresarial, sendo talvez a mais conhecida a reorganização de grandes empresas em várias divisões com produtos e mercados definidos.

Esta ideia se impôs a tal ponto que, em Londres, onde McKinsey começou sua expansão europeia, a expressão “ser mckinseado” passou a significar “reorganizar a empresa”.

Sem dúvida, McKinsey and Company é o melhor exemplo da consultoria empresarial não especializada, atuando em todo tipo de organizações, países e problemas.

Booz, Allen and Hamilton

Booz é, juntamente com a Arthur D. Little, a maior empresa do setor, e uma das empresas pioneiras dos Estados Unidos.

Grande parte de seu negócio centraliza-se em clientes públicos, como os municípios, e em temas mais afins à engenharia.

Grande parte de seus clientes são empresas do setor de indústria básicas, como o aço.

Em meados dos anos 70, Booz suscitou muitos boatos ao contratar um consultor externo para ajudar sua própria empresa a mudar de estratégia.

Nunca se tornou público o nome desse consultor, de quem se poderia dizer que é um “consultor de consultores”.

Como resultado, Booz tornou-se mais internacional, reduziu seus trabalhos no setor público e passou a especializar-se em dezenas de indústrias e segmentos.

Por isso, é o exemplo de empresa com tantas especializações que pode trabalhar em qualquer tema.

O sistema PERT

Em 1958, a Marinha dos Estados Unidos introduziu um método desenvolvido pela empresa consultora Booz, Allen and Hamilton, para projetar e coordenar a construção do sistema de mísseis Polaris.

Esse método, conhecido pela sigla PERT (Program Evaluation and Review Technique, Método para a Avaliação e Revisão de Programas), foi utilizado desde então em atividades tanto civis como militares, para orientar a construção de grandes edifícios e para todo tipo de projetos de grande complexidade que devam terminar em data certa e com custo pré-fixado.

A técnica PERT permite um melhor planejamento da utilização dos recursos disponíveis, tanto de matérias-primas como de capital e mão-de-obra, através de um método chamado análise de redes de etapas.

Por outro lado, permite a direção de programas com características únicas e contribui, na falta de dados, para analisar as incertezas.

O caminho crítico

Cada esfera representa um resultado parcial no projeto.

O número 11 é o final do projeto (o Polaris completo).

Para chegar até ele é preciso cumprir outras etapas, como a 9 (motores completos) e a 10 (corpo montado).

Os números nas setas representam os meses necessários para concluir uma tarefa (4 meses desde que o corpo está montado até que o foguete esteja completo).

Mediante o método PERT determina-se que o caminho 1-3-5-8-10-11 é o crítico, com um tempo de 33 meses.

As outras atividades, embora necessárias, podem ser retardadas sem perigo.

Com esse método é possível concentrar os esforços no caminho crítico e poupar custos nas atividades menos urgentes.

Boston Consulting Group

Ao contrário de outras empresas, o BCG está ligado a um homem, o seu fundador, Bruce Henderson, e a uma ideia, ”a curva da experiência”, segundo a qual, quando uma empresa acumula experiência na fabricação de um produto, reduz seus custos.

Daí se deduz que a empresa que mais experiência acumula, mais ganha, podendo baixar seus preços e ganhar da concorrência.

Naturalmente, a consultoria neste campo é muito mais complexa do que parece.

A definição de produto e mercado, o cálculo dos custos, a definição de cota de mercado e muitos outros detalhes exigem centenas de dias de análise e avaliação.

Mas a ideia continua sendo simples, e isto explica porque esse tipo de projeto tornou-se tão popular.

A curva da experiência complementa-se com a matriz cota de mercado / crescimento.

O BCG é uma empresa relativamente jovem, fundada nos anos 60, mas com um crescimento espetacular até o final dos anos 70.

O BCG foi a primeira das empresas que mais tarde se chamaram boutiques estratégicas, já que se especializaram unicamente na estratégia competitiva das empresas.

Para sua desgraça, muitos dos seus melhores consultores foram criar suas próprias boutiques, como Bain ou Braxton.

Mas não há dúvidas de que Bruce Henderson causou um profundo impacto na atividade de consultoria.

Management Analysis Center

Em meados dos anos 60, um professor da Escola de Administração de Empresas, da Universidade de Harvard, teve uma ideia: unir numa única empresa os muitos professores-consultores, com profissionais de consultoria de tempo integral.

Dessa forma nasceu o Management Analysis Center, outra das empresas com um crescimento espetacular na década de 70 e primeira metade da década de 80.

O MAC não é uma empresa especializada, mas devido a seu rápido acesso às novas ideias que surgem no mundo acadêmico, com frequência oferece serviços muito concretos dirigidos à solução de certos problemas.

Durante os anos 70, o MAC popularizou o orçamento em base zero, e nos 80 foi pioneiro no estudo da cultura organizacional.

Sua principal característica é a ênfase na implementação, que leva ao trabalho em cooperação com os diretores da organização cliente, para assegurar que se consigam os objetivos.

Arthur D. Little

Embora provavelmente seja a maior empresa de consultoria, a ADL lembra mais um Think Tank do que uma empresa de consultoria.

Em lugar da masters em administração, a ADL contrata fundamentalmente doutores em todo tipo de disciplinas acadêmicas: grande parte de suas rendas provêm se royalties pela cessão de suas inúmeras patentes industriais.

Poucos problemas são demasiadamente complexos para a ADL, quer na área de direção de empresas, quer na de estratégias de desenvolvimento para o Terceiro Mundo.

Diz-se que, quando o senador Edward Kennedy sofreu o acidente de automóvel que deu lugar a tantas polêmicas, técnicos da ADL foram incumbidos de estudar as causas do acidente.

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Fonte: Carlos Zaragoza – Engenheiro industrial pela Universidade de Barcelona e Master em Administração de Empresas pelo MIT.