Os conhecimentos técnicos, a isenção e o distanciamento com que um consultor pode enfrentar os problemas de uma empresa contribuem para superar numerosas situações difíceis e melhorar os resultados do empresário.

Os altos executivos necessitam muito da colaboração de consultores pois estes, estando de fora da organização, têm uma visão global da mesma e podem contribuir para o esclarecimento de cada um de seus problemas.

A era pós-industrial, da qual tanto se fala desde a crise dos anos 70, caracteriza-se pela crescente importância dos serviços na economia mundial, entre os quais sobressai a consultoria empresarial ou management consulting, não só por seu grande volume, mas também pelo seu prestígio e influência no mundo empresarial.

No início da década de 80, calcula-se que cerca de 50 mil pessoas se dedicavam plenamente a esse tipo de consultoria, agrupadas em mais de 5 mil empresas especializadas, com um faturamento em torno de 5 bilhões de dólares.

Um setor de tal dimensão não pode ser ignorado, muito menos quando continua crescendo 20% ao ano em termos reais.

Apesar dessa importância, muitas empresas e diretores continuam confundindo esse serviço com outros similares, muito diferentes em sua natureza

O que é consultoria empresarial

Trata-se de um serviço de assessoramento aos diretores de uma organização, realizado por um ou vários consultores experimentados, sobre temas relativos à direção da organização.

As organizações podem ser empresas privadas, instituições públicas ou mesmo organizações beneficentes ou científicas.

Os consultores costumam ser professores, ex-diretores aposentados, profissionais independentes ou funcionários de uma empresa consultora.

Os campos de atração podem ser muito variados, mas o que distingue essa consultoria de outros serviços de assessoramento é o seu objetivo final: melhorar a qualidade do trabalho dos diretores da organização e colaborar com eles na definição de novas estratégias.

Para entender melhor o que significa consultoria empresarial, vamos indicar o que ela não é.

Evidentemente, não é a venda de conhecimentos técnicos, como os de um especialista em mecânica do solo; também não é a assistência técnica que acompanha um produto, como a que oferecem as empresas de computadores; tampouco inclui outros serviços profissionais diferenciados, como a auditoria, a formação profissional, ou o head-hunting (caçadores de cérebros), profissão muito valorizada em tempos de crise.

Pelo contrário, os temas típicos das empresas de consultoria abarcam o planejamento, a produção, o marketing, os sistemas de direção, a estrutura, as finanças, a estratégia, o crescimento, etc.

A redução de custos

Talvez seja mais fácil entender a consultoria empresarial, tomando como exemplo um tema que esteve presente desde os inícios da consultoria: a redução dos custos de uma empresa.

As primeiras empresas de consultoria estavam compostas, principalmente, de engenheiros com experiência em produção.

Ainda hoje, as empresas de engenheiros consultores, sucessoras dessas empresas pioneiras, dedicam-se principalmente a reduzir os custos de produção de uma fábrica.

Os estudos de métodos e etapas, popularizados por Taylor nos Estados Unidos, foram a base desse tipo de consultoria que analisa todas as operações de cada trabalhador e recomenda mudanças visando à economia de mão- de-obra, materiais e energia.

Mais tarde, outros elementos do custo foram sendo objeto de atenção dos consultores.

Assim, apareceram os sistemas de controle dos estoques, para minimizar os custos dos estoques de matéria-prima suficiente para uma produção ininterrupta, ou de produto acabado adequado aos pedidos dos clientes.

Também se popularizaram os estudos para a distribuição da carga de trabalho entre os diferentes grupos de maquinaria, modelos matemáticos para reduzir perdas de material, gráficos para assegurar a coordenação de diferentes atividades, etc.

Aos poucos, todas as grandes empresas foram adotando tais ideias, seja contratando engenheiros consultores, seja criando suas próprias equipes técnicas de produção.

Por isso, nos dez últimos anos a redução de custos centralizou-se nos gastos gerais.

Os princípios de Taylor

Frederick W. Taylor estabeleceu a necessidade de dividir o processo de produção em duas etapas distintas: o planejamento do trabalho e sua execução

Antes de iniciar um processo, é preciso estabelecer alguns princípios básicos, cientificamente estudados, a partir dos quais se definem os procedimentos adequados para cada fabricação.

Para Taylor, a tarefa de direção deveria estudar todos os níveis da escala de produção.

A direção científica fundamentava-se em quatro princípios básicos:

  • Desenvolvimento de um método autenticamente científico.
  • Seleção científica dos trabalhadores.
  • Educação e promoção dos mesmos, segundo bases científicas.
  • Cooperação entre a direção e os empregados.

Para a aplicação de tais princípios, Taylor desenvolveu vários procedimentos: estudos de métodos e etapas, supervisão de funções, padronização de ferramentas, planejamento por setores, estudo e normalização dos movimentos, compensações para estimular o rendimento, métodos de seguimento e contabilidade de custos, etc.

Henry Ford foi um dos pioneiros na aplicação das técnicas científicas de direção da produção industrial (desenvolvida por Taylor), quando esta disciplina ainda não havia se convertido em uma atividade independente e nem sonhava alcançar as dimensões atuais.

Os gastos gerais

Para reduzir os gastos gerais do departamento de contabilidade da direção comercial ou do escritório de projetos, já não basta usar a experiência de uma equipe de engenheiros.

Na fábrica, o objetivo é produzir a custo mínimo.

Mas seria correto reduzir o custo do escritório de projetos, se com isso se perdessem oportunidades de venda?

Nesse tipo de problemas, que não têm uma solução exata, desenvolve-se a quase totalidade das atividades das empresas de consultoria.

O consultor não pretende ter a resposta exata mas contribuir, com seu conhecimento de casos semelhantes, sua capacidade de analisar detalhadamente o problema e de avaliar diversas soluções e sua habilidade, para conseguir um consenso entre diferentes grupos de diretores de empresa.

Todas as grandes empresas de consultoria oferecem serviços para a redução dos gastos gerais, melhorando na medida do possível os resultados das áreas de gasto analisadas.

Estima-se que quase 30% do mercado de consultoria está centralizado na melhoria dos lucros a curto prazo e na análise dos gastos arbitrários.

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Fonte: Carlos Zaragoza – Engenheiro industrial pela Universidade de Barcelona e Master em Administração de Empresas pelo MIT.