O que se entende por questões de funcionamento?

Bem, é preciso observar que, em geral, as parcelas que compõem o ativo circulante e boa parte das que compõem o passivo a curto prazo têm a ver com o volume de operações da empresa.

Se crescem as vendas, crescem os devedores, as compras, o crédito dos fornecedores, etc.

Também são afetadas algumas dessas parcelas ao mudar as circunstâncias do ambiente no qual se desenvolvem os negócios da empresa.

Se aumentam os inadimplentes, aumenta o número dos devedores que será necessário financiar; caso se prevê escassez de uma matéria-prima no futuro, pode ser necessário armazená-la em quantidades excepcionais na previsão de possíveis dificuldades de fornecimento.

Isto provoca também um aumento das necessidades de financiamento.

Em outras palavras, o ativo circulante e o passivo de curto prazo são profundamente afetados pela evolução diária do andamento dos negócios, pelas possíveis oscilações sazonais e por outras questões de tipo operativo.

Pelo contrário, o volume do imobilizado e dos recursos permanentes é muito estável e varia fundamentalmente em função de decisões específicas (aquisição de uma máquina, proposta de uma ampliação de capital), que habitualmente são apresentadas precisamente em termos de variação quantitativa que experimentarão determinadas parcelas do balanço (comprar ou não comprar uma máquina de 30 milhões de unidades monetárias, aumentar o capital em 100 milhões de unidades monetárias, distribuir 2 mil­hões de dividendos, etc).

Através desse tipo de decisões, procura-se buscar um equilíbrio entre os recursos e os investimentos de longo prazo de acordo com a programação da empresa.

A gestão dos investimentos e recursos de curto prazo implica uma problemática completamente distinta.

Ninguém diz: “vamos aumentar nosso número de devedores em 45 milhões de u.m. (unidades monetárias)”.

Não obstante, através de mecanismos indiretos, às vezes pouco compreendidos (inadimplências, dilatação do prazo de cobrança, compensações associadas ao desconto de duplicatas, etc), o investimento real em devedores pode ter aumentado consideravelmente acima dos mencionados 45 milhões.

As origens da tragédia de muitas empresas, especialmente as pequenas, devem ser buscadas neste tipo de fatos.

Nos últimos anos, era muito frequente encontrar empresários que ponderaram cuidadosamente durante muito tempo se deviam ou não fazer um investimento em imobilizado, digamos de 10 milhões de u.m., e também ponderaram com muita atenção de onde poderiam obter o dinheiro para o investimento, enquanto crescia seu volume de ativo circulante em quantidades muito superiores aos citados 10 milhões de u.m., sem dar-se conta e sem tomar nenhuma medida para financiar estas novas necessidades.

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Fonte: Josep Faus – Doutor em Administração de Empresas pela Universidade de Harvard, engenheiro industrial e professor do IESE.