A determinação do preço de um produto é uma das tarefas mais complexas de marketing, pois a construção de modelos não garante o comportamento real do consumidor.

A concorrência, que exige um esforço de diferenciação do produto para assegurar a clientela, e as restrições legais são elementos básicos na sua formação.

A determinação de preços é uma das tarefas mais complexas no âmbito de decisão dos executivos.

Quando se levanta um problema de preços em um comitê ou comissão, é provável que se recomendem cifras diferentes, e geralmente é difícil chegar a um acordo.

Já parece fora de dúvida que a construção de modelos mecânicos para determinar preços é sintoma de excessivo otimismo ou ingenuidade suspeita.

Na realidade, a experiência demonstra não existirem receitas que garantam decisões corretas.

Um modelo que leva em consideração um maior número de variáveis só é aplicável quando se dão algumas condições normais, coisa que, na prática, raramente acontece.

Em última análise, o preço não é mais nem menos do que a expressão de um valor.

O valor de um produto depende de seu grau de utilidade para o comprador, de sua qualidade percebida, da imagem que transmite aos consumidores pela propaganda e promoção, de sua disponibilidade para atacadista e varejista e do nível de serviço que o acompanha.

O preço é, portanto, a estimativa feita pelo vendedor do valor que todo este conjunto tem para os compradores potenciais, levando em consideração as outras opções para satisfazer a mesma necessidade do produto.

Num ambiente competitivo, a fixação de preços tem algo de jogo.

O preço que um dos competidores fixa não considera apenas o que o mercado está disposto a pagar, mas também os preços fixados por outras empresas.

A fixação de preços é um jogo com apostas muito elevadas.

Para um diretor de marketing é o momento da verdade, porque as decisões sobre fixação de preços resumem a tarefa de marketing e refletem-se na conta de resultados.

As variáveis essenciais a serem levadas em consideração para analisar as decisões sobre a fixação de preços costumam ser:

  • Os custos em que a empresa incorre ao fabricar e comercializar o produto.
  • O valor que o cliente dá ao produto em questão.
  • Os preços fixados pelos outros fabricantes para produtos competitivos.
  • As restrições legais quanto à liberdade de fixação de preços.
  • Os objetivos que a empresa se fixou.

Questionário para as decisões sobre fixação de preços

  • Quanto ao valor para o cliente

A que clientes se dirige o produto?

O que significa o produto para o grupo?

Que outras alternativas tem o cliente?

Até que ponto está disposto a avaliá-las?

Como se pode educar o cliente quanto ao valor que o produto lhe oferece?

Como vai mudar com o tempo o valor percebido do produto?

Se há diferentes segmentos para os quais o produto tem valor distinto, pode-se vender a diferentes preços em mercados diferentes?

Uma redução substancial dos preços acarretará incrementos proporcionais da demanda?

Um aumento dos preços implicará reduções na demanda?

Até que ponto o cliente de uma empresa é sensível ao preço?

Que pode fazer um fabricante para agregar valor a um produto “maquiando-o”?

Até que ponto os consumidores pagarão mais por essas mudanças externas?

É possível fazer provas de diferentes preços em mercados reduzidos, para verificar qual a sensibilidade?

  • Quanto aos custos

Quais são os custos relevantes para a decisão sobre os preços?

Quanto é preciso vender para alcançar o ponto de equilíbrio?

Como se comportarão os custos ao longo da vida do produto?

Qual pode ser a tendência da curva da experiência?

Em que circunstâncias é factível fixar preços abaixo dos custos variáveis?

  • Quanto aos competidores

Quais são os competidores atuais e potenciais de uma empresa nos mercados que abastece?

Como e em que grau se diferenciam as linhas do produto da empresa com as dos competidores?

Qual é sua estrutura de custos?

Quais são suas cotas de participação no mercado?

Quais são seus pontos fortes e fracos?

Que estratégia é preciso aplicar para antecipar-se a seus movimentos em preços?

Qual a empresa que ostenta a liderança em matéria de preços?

Como funciona?

  • Quanto aos objetivos

O que se pretende?

Que possibilidades existem de levá-los à prática?

Procura-se obter lucros a curto prazo, ou prefere-se aumentar em primeiro lugar a participação?

Que objetivos são prioritários?

De quais se está disposto a prescindir?

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Fonte: José A. Segarra Torres – Master em Economia e Direção de empresas e Engenheiro Industrial. Professor ajudante de Direção comercial no IESE e consultor de empresas têxteis, farmacêuticas e de microinformática.