Normalmente, uma empresa industrial começa sua atuação a nível internacional com a exportação; a seguir, pode passar a conceder licenças e, finalmente, investe diretamente em projetos de fabricação no estran­geiro.

Na atividade inicial de exportação, as mercadorias produzidas em um país são vendidas a consumidores de nações estrangeiras.

Quando essas exportações se tornam difíceis, por causa de restrições às importações ou a pressões governamentais, certas empresas começam a conceder acordos de licença.

Mediante esta modalidade de acordo, transferem qualquer classe de patente, processos de fabricação, tecnologia de produto, marcas ou outros conhecimentos a empresas estrangeiras em troca de royalties (por exemplo, 4% nas vendas).

A transferência de tecnologia possibilita à companhia estrangeira receptora fabricar e comercializar produtos em zonas específicas.

Em muitos casos, as empresas industriais prescindem dos acordos de licença e, em seu lugar, introduzem-se mais diretamente no mercado financeiro e na produção através de investimentos diretos.

A passagem de uma empresa nacional a transnacional supõe que seu principal compromisso internacional muda, passando da exportação e concessão de licenças para os investimentos diretos nas filiais dedicadas à fabricação, que então ficam sob controle da empresa-matriz.

Em princípio, a empresa pode instalar projetos em alguns países para fabricar e comercializar um produto.

De modo geral, começa dedicando-se simplesmente a processos de montagem ou embalagem, utilizando materiais importados.

Com o tempo, a empresa põe em andamento um processo de integração mais vertical em sua fabricação, que desemboca na produção própria de seus materiais ou componentes, embora possa obtê-los em outras empresas locais.

À medida que se confirmam as expectativas do mercado, a multinacional amplia suas linhas de produção e redes comerciais, mediante filiais que ficam sob seu controle.

Através dos investimentos estrangeiros diretos, a empresa multinacional diversifica progressivamente sua participação em uma gama mais ampla de atividades internacionais, que incluem: produção, finanças, pessoal, relações trabalhistas, desenvolvimento do produto, relações com o governo e com o público, assim como pesquisa e análise em todo o setor.

Os investimentos diretos proporcionam a essas empresas as melhores oportunidades para utilizar a fundo seus recursos sociais e conseguir lucros, embora tais investimentos nunca estejam isentos de riscos e conflitos.

Uma empresa que dedica uma parte importante de sua produção à exportação reage, frente ao aparecimento de restrições aduaneiras, concedendo licenças de fabricação a empresas, radicadas no país destinatário da mercadoria. A seguir, se sua evolução expansiva prossegue, decide investir em taI país, seja para controlar a empresa concessionária, seja para investir na comercialização ou então instalando seus próprios projetos de fabricação.

Normalmente, as multinacionais preferem fazer o investimento direto em filiais ou sucursais cujas propriedades conservam, mas com frequência podem introduzir-se no mercado como coparticipantes, em negócios conjuntos (joint-ventures) com sócios estrangeiros.

As joint-ventures costumam ser, em sua maior parte, propriedade da empresa multinacional; outras vezes porém deterão apenas 50% do capital subscrito conjunta­mente; por último, pode acontecer que sua participação seja minoritária.

As multinacionais de caráter industrial realizam também muitos outros tipos de combinações de negócios.

Algumas se dedi­cam a atividades de projetos turn-key (chaves na mão) oferecendo um pacote de proje­to parcial ou completo, assim como a engenharia, aquisição de equipamentos, supervisão da construção e início de atividades do projeto.

Muitas multinacionais assinam contratos de ajuda à direção das empresas mediante os quais, por certa quantia, oferecem serviços administrativos gerais, de produção, financeiros, de comercialização ou de outras especialidades, ao mesmo tempo que colaboram na capacitação e reciclagem do pessoal durante determinados períodos.

Em muitos casos as multinacionais firmam contratos de gestão e administração de negócios com suas filiais de fabricação, recebendo em troca determinada quantidade pelos serviços de management prestados, ou então fazem contratos de licença com suas filiais estrangeiras, recebendo royalties pela tecnologia por eles transferida.

À medida que as empresas multiplicam suas operações transnacionais, todas estas possibilidades podem ser combinadas num modelo muito complexo de negócios internacionais que compreende, com frequência, operações de exportação e importação, cer­to número de acordos de licença, contratos sobre técnicas de administração e gestão, pro­jetos turn-key e investimentos estrangeiros diretos.

Evolução das dez maiores empresas do mundo, em volume de negócios, durante a última década, segundo a revista Fortune.

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Fonte: William A. Dymsza – Fellow da Academia de Negócios Internacionais e editor do Journal of International Business Studies.