É possível delinear, a partir das três incumbências da direção (relação interpessoal, transmissão de informação e tomada de decisões), um modelo que, levando em consideração a tipologia de suas variadas atitudes, ofereça a imagem do executivo ideal.

Um dos traços importantes na caracterização de um executivo é sua dimensão humana. Ele deverá ser compreensivo, apesar de exigente; justo e benevolente; rigoroso, mas não inflexível.

As empresas e as organizações não cumprem sua missão sem que se realize uma função peculiar e universal que se chama dirigir.

Em toda empresa faz-se algo de concreto e para isso aplica- se uma tecnologia ou um saber-fazer específico, seja a empresa uma fábrica de automóveis ou um banco.

É preciso também manter as contas em ordem, manejar adequadamente o dinheiro, recrutar e treinar o pessoal, motivá-lo, vender o produto, oferecê-lo ao consumidor potencial e muitas outras coisas.

Para tudo isto são necessários conhecimentos específicos, mas nada daquilo que é específico se produziria no momento oportuno e na medida adequada se não se realizasse também uma função peculiar que se chama direção.

Uma das analogias mais claras para entender esta função é a do regente de orquestra.

Todos e cada um dos músicos tocam determinado instrumento, em determinados momentos e seguindo indicações precisas para a peça que se interpreta.

Não haveria, porém, ordem nem concerto (em sentido estrito e em sentido amplo) sem um diretor que marcasse os momentos de entrada e assinalasse a cada um a harmonia necessária.

Conteúdo da função diretiva

  1. Fayol descobriu essa função específica há muitos anos e a chamou de administração.

A quantidade de administração que se deve incorporar em cada tarefa específica depende do tamanho da empresa e do nível hierárquico da pessoa a realizá-la.

Quanto mais alto esse nível, maior a quantidade de trabalho administrativo e menos trabalho funcional.

A figura “Administração: a função diretiva” resume esquematicamente a concepção de Fayol sobre o âmbito e o conteúdo do trabalho de direção.

A figura resume a concepção de Fayol sobre a função diretiva, que ele qualifica como administração. A quantidade desta a ser incorporada em cada tarefa específica depende do tamanho da empresa e do nível hierárquico daquele que deve desempenhá-la.

Antonio Valero e depois José Ocáriz apresentaram dois conceitos diferentes de trabalho: trabalho operativo e trabalho diretivo.

O primeiro exige a aplicação das capacidades intelectuais e motoras de forma individual ou conjunta, como uma peça do processo.

O segundo é o que se leva a cabo ao organizar o trabalho de outros, impelindo-os a realizá-lo.

Quanto mais elevada é a posição hierárquica de uma pessoa numa organização, maior será seu trabalho diretivo e menor seu trabalho operativo.

  1. Fayol dizia que dirigir (administrar, segundo sua expressão) é uma função que consiste em: prever, organizar, mandar, coordenar e controlar.

Interpretando cada um destes cinco verbos em sua acepção vulgar, chega-se a uma definição bastante próxima daquilo que é dirigir.

O que se pergunta, portanto, neste trabalho é: que capacidades é preciso ter para realizar esta função tão típica?

Trata- se de uma função universal, porque deve ser exercida em todas as empresas e em todas as organizações do mundo.

É certo que em cada instituição ela estará sempre impregnada de características específicas, visto que é bem diferente dirigir uma empresa como a General Motors ou uma oficina que fabrica peças para a indústria eletrônica.

Contudo, os elementos próprios do trabalho diretivo estarão em ambos os casos.

As diferenças devem-se a questões de dimensão ou de tecnologia, às vezes de ambiente ou de lugar, e a poucas coisas mais.

Não chegam a ser diferenças que anulem ou mutilem as posições essenciais do trabalho diretivo.

De quem se trata?

Quando se fala de executivos, está-se fazendo referência a toda pessoa que tem poder de mando sobre outros e da qual se exigem resultados.

Essencialmente, há dois tipos de executivos: os que têm outros executivos como chefes e os que não os têm e, portanto, de certa forma têm que dar conta de sua ação à sociedade.

Estes últimos podem ser chamados executivos principais.

Quase sempre, entre um executivo principal – seja qual for o título dado a seu cargo – e a sociedade, há grupos intermediários que, de alguma forma, lhe pedem contas daquilo que faz.

Muitos executivos principais, por exemplo, prestam contas do que fazem ou pensam fazer a um conselho de administração, a uma junta geral de acionistas, à junta diretora ou ao organismo supremo da instituição que dirige.

Ver a este propósito a figura “As duas posições de poder do diretor de empresa”.

O desenho mostra as duas posições que podem ocupar os diretores na hierarquização de uma empresa: os que têm um superior hierárquico ao qual devem prestar contas de sua ação e os que não têm chefes. Isto não quer dizer que sua atividade esteja sempre isenta de responsabilidade; pelo contrário, será a própria sociedade que, em última análise, julgará sua gestão. Por esta razão estes diretores sem chefe recebem o nome de executivos principais.

Inexistência de um modelo único

Embora todo executivo realize como tal as mesmas atividades, não há um modelo único na maneira de fazê-lo.

Todos têm de prever, organizar, mandar, coordenar e controlar, mas cada um o fará segundo seu modo de ser e as circunstâncias concretas em que se encontra.

As situações concretas que é preciso controlar e o modo de ser de cada diretor são dois grupos de variáveis tão diferentes que os casos possíveis de combinação desses elementos tornam praticamente impossível definir modelos e, menos ainda um modelo único.

Contudo, essa variedade quase infinita não obriga a multiplicar as diversas capacidades.

Conceber e conseguir resultados

Há um elemento importante na exigência do trabalho diretivo: a responsabilidade de conseguir resultados.

Para um regente de orquestra, o resultado será uma boa interpretação avaliada pelo auditório.

O regente de orquestra foi responsável pela qualidade de sua obra.

Isso acontece em qualquer outro tipo de realização diretiva e marca a diferença entre direção e uma simples administração limitada a uma atividade parcial de ordem, em um processo quase automático.

Os resultados muitas vezes são uma criação intelectual do próprio executivo.

Ele não se limita a fazer o que lhe mandam, aplicando uma técnica ou uma habilidade, pois isto seria um simples trabalho operativo.

Um executivo contribui com boa parte das ideias sobre o que se deve conseguir, o que é preciso fazer e a maneira como se deve fazer (objetivos e políticas).

Por isso se diz que não lhe cabe apenas conseguir resultados, mas também, de certa forma, conceber os resultados que é preciso conseguir.

Quanto mais alto é o posto diretivo na empresa, maior será sua participação na concepção, sem deixar de ter a responsabilidade no fato de consegui-los.

Veja o esquema ”As três obrigações do executivo”.

Uma empresa pode ser tão particular que os organismos supremos sejam apenas uma simulação.

Mesmo assim, sem um estamento intermediário, seu executivo principal presta contas à sociedade em geral, através dos elementos mais próximos, como seus clientes, seus fornecedores, seus empregados, sua família, etc.

Modo de analisá-lo

Para analisar ordenadamente as capacidades do executivo, a primeira coisa a fazer é explorar profundamente as características do trabalho diretivo.

Da experiência corrente da vida empresarial decorre uma lista de capacidades exigidas dos executivos.

Os teóricos costumavam fazer construções mentais para exprimir de maneira sintética essas capacidades.

Acontece, porém, que mais do que sintetizar se simplifica e não se exprime toda a realidade.

Neste trabalho utilizam-se palavras correntes, embora em certas ocasiões seja difícil chegar a ordená-las em poucos conceitos.

Preferimos expor de maneira mais ampla, mesmo com o risco de nos aproximar da realidade com pinceladas pouco precisas, mas que de maneira reiterada vão esboçando o perfil que não se pode exprimir com um só traço.

Por isso, será dedicado um espaço a descrever os diferentes tipos de personagens que o executivo deve representar, cada tipo com o seu grupo de capacidades.

Os requisitos necessários para ser executivo são tão extensos que abarcam muitas facetas da realidade humana.

Um executivo precisa ser uma pessoa rica em virtudes, embora não seja especialmente notável em alguma delas, coisa que se exige por exemplo do perito ou especialista.

Daí que normalmente o trabalho realizado pelos executivos costume ser qualificado de generalista.

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Fonte: Barto Roig – Membro da European International Business Association, Bruxelas e professor de Política de Empresas no IESE.