Qualquer atividade econômica que produz um valor agregado pode ser ana­lisada como um processo de produção, de modo que os conceitos que servem para estudar, organizar e dirigir a produção são aplicáveis de uma forma geral.

Assim, por exemplo, um banco pode ser entendido como um processo de pro­dução que acumula dinheiro, transforma-o numa série de produtos financeiros (créditos a curto prazo, créditos a longo pra­zo, desconto de letras, hipotecas, etc) e os distribui através de uma rede de sucursais.

Neste caso, as transformações que acontecem ao longo do processo são ele­mentos de informação que se armazenam nas diferentes contas que o banco tem.

Algumas fases do processo de transfor­mação são precedidas de estudos, infor­mes, comprovações, oferta de garantias, etc.

Mas a análise típica da produção é válida para enfrentar muitos dos proble­mas que podem surgir neste tipo de pro­cesso: a melhoria de eficiência mediante a automação, os métodos para aumentar a produtividade ou os padrões de qualidade, a obtenção de economias de escala por meio da centralização do processo.

O mesmo pode-se dizer de um restaurante ou de um parque de diversões.

Os peritos em produção afirmam que o fa­moso parque Disneyworld, na Flórida, Estados Unidos, é uma amostra prática da correta aplicação dos princípios de produção.

O produto, neste caso, é a prestação de um serviço que consiste em divertir com um estilo determinado.

O processo consta de uma série de atrações, o dimensionamento de cada uma, a pla­nificação das vias e dos meios de acesso em conjunto, para facilitar um fluxo contínuo de visitantes através do parque.

Os processos de produção poderiam ser classificados em quatro categorias que, apesar de características comuns, são claramente diferenciáveis: processos por lotes (batch processes), processos contínuos (continuous flow processes), proces­sos em cadeia (assembly line processes) e processos tipo projeto (project type processes).

O desenho de um produto e de seu processo de produção tem como núcleo central o fluxo de materiais, o qual é condicionado pelos padrões de qualidade, produção e tecnologia, pelas decisões econômicas e administrativas e pelas condições de mercado. Nas três figuras ilustram-se os fatores que intervêm no desenho de um processo de automação (A), na adaptação do produto às necessidades do mercado (B) e no processo de decisões na política de vendas (C).

Processos por lotes

Uma pequena fábrica de máquinas pa­ra a indústria têxtil (máquinas circulares de malharia, por exemplo) oferece um claro exemplo de processo de fabricação por lotes.

A empresa certamente opera­ria por um sistema de fabricação de pequenas séries de máquinas iguais ou mui­to semelhantes.

As peças das máquinas são adquiridas de fornecedores externos, ou fabricadas na própria empresa; algu­mas delas são de aplicação num único ti­po de produto, ao passo que outras são comuns a vários produtos.

A fábrica do nosso exemplo provavelmente apresenta­ria o que se chama uma distribuição em planta de seus equipamentos de tipo funcional, isto é, agrupando as máquinas que realizam a mesma função; assim, tería­mos um grupo de prensas, outro grupo de tornos, um terceiro grupo de perfuratrizes, etc.

Uma variante do processo por lotes é a produção modular, na qual a gestão elabora, desenvolve e produz aqueles elementos ‘susceptíveis de serem combinados em um número máximo de formas diversas. No processo de fabricação por lotes, as peças passam por máquinas especializadas onde os operários realizam o seu trabalho.

Nesse tipo de distribuição, os operários trabalham em algumas máquinas tirando determinadas peças de uma caixa, processando-as em suas máquinas e depositando-as em outra caixa.

Algu­mas máquinas ficam paradas, enquanto operários executam alguns ajustes, preparando-as para realizar um trabalho.

Num processo como o descrito, os lotes de peças vão passando de máquinas em máquinas seguindo diferentes rotas dentro da fábrica.

O tempo de preparar a máquina para cada operação e o tama­nho das séries de produto acabado in­fluem no volume dos lotes que circulam dentro da fábrica.

As datas de entrega dos produtos acabados e a forma como se agrega o valor na fábrica influem na programação de cada operação.

O volume de peças em processos de fabricação num de­terminado momento pode ser elevado.

A programação correta deste tipo de proces­sos resulta muito complicada, quando se trata de fábricas de grandes dimensões e com grande variedade de produtos.

Processos contínuos

Uma refinaria de petróleo é um bom exemplo de processo contínuo.

Uma vi­sita a uma refinaria oferece um panora­ma muito diferente do anterior.

As ins­talações, basicamente uma complexa rede de depósitos e reatores unidos por tubulações, constituem uma série de caminhos contínuos pelos quais a matéria prima, petróleo, flui e se transforma até converter-se nos diferentes produtos acabados: gasolina, óleo, asfalto, etc.

Veem-se poucos operários, cujo trabalho con­siste em acionar válvulas, supervisionar indicadores de processos e, sobretudo, realizar operações de manutenção, limpe­za, conserto, controle, entrada de matérias-primas e saída de produto acabado.

Durante o processo, altamente automatizado, os operários não entram em contato com o produto.

Os processos de tipo contínuo podem ser sempre representados por um diagrama de fluxo, como mostra a figura. A matéria-prima inicial (neste caso, o cloreto de vinila) percorre um ciclo de processo o qual se transforma no produto final (policloreto de vinila, no exemplo). O fluxo de materiais é ininterrupto, o controle das variáveis de processo realiza-se de forma permanente em pontos predeterminados e a saída do produto final faz-se sem interrupção.

Processos em cadeia

Uma fábrica de automóveis serve pa­ra ilustrar um processo em cadeia.

Cen­tenas de pessoas realizam ali operações em um ritmo preciso, marcado pela velocidade de avanço da cadeia.

Nas fábri­cas que produzem veículos complexos (caminhões pesados para aplicações militares, por exemplo) as cadeias avançam num ritmo quase imperceptível, ao passo que nas fábricas que produzem veículos mais simples (automóveis, utilitários), elas têm um movimento muito mais rá­pido e claramente observável.

Nestes ca­sos, uma verdadeira corrente desloca o produto que se está fabricando ao longo de uma série de postos fixos de trabalho, nos quais operários realizam as tarefas.

Alguns colocam os cabos, outros os as­sentos, outros o motor, outros controlam para que uma série de operações se reali­zem de maneira correta.

Em muitos casos, a cadeia que transporta o produto de um lugar para outro é substituída por car­rinhos, plataformas, correias transportadoras, etc.

Às vezes, como é o caso de muitas empresas de confecção ou calçado, o que flui pela cadeia não são unidades do produto, mas lotes de unidades; todo o lote, porém, tem uma sequência predeterminada de postos de trabalho.

O trabalho em cadeia, ou em linha de montagem, caracteriza-se pela subdivisão do processo de fabricação em um grande número de tarefas elementares que são atribuídas a um elevado número de pessoas.

É preciso medir muito bem quanto tempo leva cada pessoa para realizar determinada tarefa a fim de destinar a esta o número adequado de pessoas.

O equilíbrio de cadeias ou linhas resulta do con­junto de medições e cálculos necessários para conseguir uma boa saturação das pessoas, e uma divisão do trabalho em tarefas elementares especializadas que possam realizar-se com alta produtividade.

Embora o trabalho em cadeia seja anterior, costuma-se atribuir a Henry Ford o mérito de ter aplicado maciçamente esse sistema de fabricação, desenvolvimento amplamente seu potencial.

Nos tempos da Primeira Guerra Mundial, a fábrica Ford, de Highland, alcançou uma produção de 3.100 unidades diárias do modelo Ford T, número que ainda em nossos dias surpreende.

Uma série de cadeias ramificadas confluíam numa cadeia central que era um verdadeiro rio de produção.

Processos tipo projeto

Os processos tipo projeto são aqueles em que a produção se realiza num lugar concreto, desenvolvendo-se com frequência de forma diferente em cada produto, como acontece na perfuração de um po­ço de petróleo, na construção de um edi­fício ou de um navio.

Esses processos exi­gem uma análise cuidadosa anterior à sua execução, a fim de poder desenvolver o projeto de forma eficiente.

Por isso, são muito importantes os aspectos de planejamento e programação.

Nesse campo, a Marinha dos Estados Unidos deu uma grande contribuição com o desenvolvimento do método PERT, principalmen­te para ajudar seus fornecedores a cum­prir os contratos, dado que os desvios com relação ao orçamento, tanto em tempo como em custo, eram muito elevados.

O método PERT continua sendo a mais importante ferramenta de planejamento para os processos de produção tipo projeto.

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Fonte: Pedro Nueno – Doutor em Administração de Empresas pela Universidade de Harvard. Professor do Instituto de Estúdios Superiores de la Empresa, IESE.