Quando a participação dos custos fixos no custo total é muito elevada, como acontece no caso das companhias aéreas, dos grandes petroleiros transoceânicos e das companhias petrolíferas, o custo de produto não tem grande incidência na fixação dos preços.

A estrutura de custos e concorrência, e a estratégia de marketing indica­rão ao analista quais os elementos determinantes para a imputação de custos, e quais não.

A contabilidade de custos é uma ferramenta de gestão valiosa para as empresas, já que permite o cálculo antecipado dos desvios dos custos e o conhecimento de suas determinações.

É bastante atual na análise financeira a concepção de sistemas de contabilidade de custos, que permitem o cálculo an­tecipado dos desvios dos custos reais e padrões, assim como uma informação de­talhada das diversas apropriações.

Con­tudo, a função que desempenha o sistema de custos na análise financeira é ob­jeto de importantes controvérsias, pois não há acordo tanto sobre a utilidade da informação que a análise proporciona co­mo sobre sua validade universal em seto­res e situações diferentes de mercado.

Um exemplo imaginário servirá para com­preender as diferentes posições que se mesclam na atualidade em torno do te­ma e, ao mesmo tempo, porá em desta­que as possibilidades e as limitações que uma análise fundamentada no sistema de custos acarreta.

O exemplo baseia-se na comparação entre duas empresas (A e B), cujos presidentes julgam a utilidade e a eficácia dos sistemas de custos em suas empresas.

Vejamos seus pontos de vista.

O ponto de vista da empresa A:

“Nos­so sistema de custos está à altura dos mais avançados.

Proporciona-nos os custos reais e padrões de todos os nossos produtos.

Podemos calcular diariamente, pa­ra cada produto, trabalhador e máquina os desvios dos custos estimados.

Podemos também fixar os preços semanalmente, ou até diariamente.

Nossa estratégia baseia- se em nossos sistemas de custos”.

O ponto de vista da empresa B:

‘‘Em sete anos, tivemos quatro diretores de contabilidade.

Três diferentes consultores tentaram elaborar um sistema de custos, mas os desvios em nossos inventários ain­da assim alcançam uma média de 10% anual.

Suspeito que todas as cifras de cus­tos que me apresentam diferem em 10% de seu valor real, a não ser por acaso.

A contabilidade de custos supõe uma tremenda perda de dinheiro; não entendo por que nos preocupamos com isto”.

Desses testemunhos depreende-se que a empresa A conta com um excepcional diretor de contabilidade, ao passo que o presidente da empresa B é incapaz de avaliar corretamente a atividade de seus di­retores e assessores financeiros.

Um de­tido exame das situações nos levaria a conclusões um tanto diferentes.

Se os diretores ou assessores da empresa B trabalhassem para a empresa A o sistema de custos que teriam elaborado seria considerado muito avançado.

Pelo contrário, se o contador que elaborou o sistema de custos da empresa A trabalhasse para a empresa B, seu sistema de contabilidade seria considerado pouco aceitável.

Os diretores das empresas de produção por encomendas são os que se mostram mais receptivos em relação à contabilidade de custos.

Quem quer que mantenha um contato estreito com o mundo dos ne­gócios pode escutar declarações negativas semelhantes àquela da empresa B; sobre­tudo, por parte de executivos que dirigem processos complexos de produção por processo, ao passo que poucos, para não dizer nenhum, dos diretores de processos de produção por encomenda compartilham tal opinião.

Com frequência, podem ser ouvidas opiniões que refletem um ter­ceiro ponto de vista (que corresponde a uma posição intermediária), representativo da insatisfação que experimentam os diretores de organizações complexas co­mo os grandes hospitais e as empresas in­dustriais multinacionais.

Trata-se de quei­xas baseadas nas imprecisões informativas dos departamentos de contabilidade nas atribuições de custos.

Por exemplo, os diretores de organizações tão complexas, como os grandes centros hospitalares, defrontam-se com graves dificuldades por causa das imprecisões e da falta de uma informação mais detalhada nas diferentes determinações de custos, realizadas pelos departamentos de contabilidade.

Papel e elementos do sistema de custos

A viabilidade de um sistema de custos e a utilidade que venha a ter para um exe­cutivo dependem de numerosos fatores.

Em alguns casos, como num processo de produção por encomenda, um sistema de contabilidade é sumamente útil e seu cus­to de desenho, instalação e operação é pequeno.

Outras vezes, a informação tam­bém pode ser valiosa, mas muito dispendiosa.

Contudo, existem também situa­ções nas quais até mesmo uma informa­ção detalhada de custos terá escassa utilidade.

O processo de produção e o tipo de produto são os elementos básicos que determinam que aspectos de um sistema de custos serão viáveis em cada situação concreta.

A estrutura de custos, o ambiente competitivo e a estratégia de marketing, por seu lado, determinam quais são mais convenientes.

Os executivos, contudo, não costumam levar em conta tais rela­ções.

As empresas esbanjam consideráveis somas de dinheiro e esforços de gestão procurando aplicar cegamente os sistemas que tiveram êxito, mas em situações inapropriadas.

Existem empresas que gasta­ram várias centenas de milhões de dóla­res em sistemas de custos que nunca foram postos em prática.

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Fonte: Michael J. Sandretto – Professor da Harvard Business School, encarregado de ministrar o curso de Contabilidade de Custos.