A literatura específica em temas de direção de empresas apresenta abundantes experiências de bem sucedidos diretores de empresas, experiências estas que permitem configurar diferentes estilos ou formas de dirigir.

Na maioria dos casos, é visível a subordinação da ação à consecução de metas ou objetivos pretendidos por quem tem a responsabilidade úl­tima na empresa.

Inspirando-se nesse princípio básico – que a ação seja coerente com as metas e os objetivos, apresenta-se um sistema ou processo de direção que põe em andamento na empresa a pessoa que tem a responsabilidade de levá-la à consecução de seus fins específicos.

Natureza do processo diretivo

O processo de direção esquematizado na ilustração está orientado para a ação e impregnado pela personalidade daquele que, tendo o poder, o exerce.

Esse processo apresenta as seguintes etapas:

  • Identificação e avaliação da situação em que se encontra a empresa.

Trata-se, em última análise, de fazer um diagnóstico objetivo e realista da situação atual, tanto no que se refere ao ambiente exterior como no que concerne à própria empresa.

  • Planejamento de um futuro melhor que o presente, realizável e coerente com as condicionantes do ambiente e da empresa, identificadas no diagnóstico.

Tal concepção do futuro, ou estratégia, deve conter: uma filosofia ou princípios invariáveis que inspiram to­da a atividade da empresa; alguns objetivos ou metas possíveis e desejáveis; algumas políticas ou modos de fazer mais eficazes para que os objetivos se tornem realidade; e, final mente, alguns planos de ação concretos e realistas que permitam passar da situação presente para a futura, ou seja, estabelecer as ações sucessivas que devem ser realizadas para alcançar a nova situação procurada.

  • Construção e condução de uma estrutura humana, compatível com a realização dos objetivos escolhidos e incorporados à estratégia.

A condução da estrutura humana implica encarregar da ação consequente, pessoas definidas, tomando como critério para a atribuição de responsabilidades a estratégia, as atitudes e os conhecimentos (atuais e potenciais) dos autores da ação que são, em última análise, agentes da implantação real da estratégia.

  • Desenvolvimento de ações concretas sobre as pessoas da estrutura, para que orientem suas atividades na direção e com a energia necessária à consecução das tarefas que lhes forem confiadas.

Essas ações, agrupadas num conjunto denominado “Processos de avanço”, devem ser completas e coerentes, de tal modo que permitam orientar a atuação dos diretores no sentido adequado e com a intensidade necessária à consecução da parte da estratégia de que foram encarregados.

A figura mostra os três tipos de processos de avanço onde se classificam as ações que levam as pessoas da estrutura a orientar suas atividades na direção exigida pela estratégia.

O estilo de direção busca fundamentalmen­te tornar realidade a estratégia da empresa.

Não basta dizer para onde se quer levá-la (explicação e formalização da estratégia) nem co­mo se deve organizá-la (atribuir as responsabilidades às pessoas); é preciso que as ações sejam orientadas para as pessoas e para as coisas; e tudo isto deve ser feito de uma determinada forma.

Um estudioso do assunto, o pro­fessor Antonio Valero, do Instituto de Estú­dios Superiores de la Empresa, de Barcelona, diz:

“A decisão acertada é necessária, mas apenas como condição prévia para a ação adequada, sem a qual o futuro escolhido não passaria de um sonho”.

A tarefa de implan­tar na empresa o que foi estabelecido na estratégia encerra grandes dificuldades e é de vi­tal importância tomar realidade o que foi previsto como desejável.

Para que a estratégia possa ser executada com êxito, é necessário um desenvolvimento harmonioso do estilo de direção anteriormen­te mencionado.

É preciso enfatizar de modo especial os processos de avanço que, devida­mente estabelecidos e postos em andamento, contribuem de maneira importante para diretores cumprirem sua tarefa em cada momento, a fim de que a implantação da estratégia não seja um sonho, mas algo real e ope­rativo.

A figura apresenta diferentes níveis de articulação do processo diretivo, que exige uma grande flexibilidade e imaginação, de quem tem na empresa a responsabilidade de conduzi-la para a consecução de seus fins específicos.

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Fonte: Fernando Lacueva – Doutor em Direção de Empresas pelo IESE – Insti­tuto de Estúdios Superiores de la Empresa (Espanha) e professor de Política de Empresa no IESE.