Há muitas formas de conceitualizar modelos que explicitem, com precisão científica, as capacidades do executivo, uma vez que não existe um modelo único.

Como já dissemos, a natureza da personalidade humana é muito rica e sofisticada e, portanto, difícil de enquadrar-se num estreito marco conceitual.

Contudo, vale a pena fazer algumas tentativas.

A questão que se levanta nas organizações é, com efeito, a seguinte: em que termos se pode avaliar a capacidade diretiva de uma pessoa para que tenha um significado preciso e útil na hora de contrapor necessidades e capacidades?

O triângulo de capacidades do executivo

A grande maioria dos autores admite que o executivo deve ter capacidades relacionadas com a inteligência, como, por exemplo, o correto raciocínio sobre conhecimentos específicos e gerais, teóricos e práticos.

Um segundo grupo de capacidades que sempre se mencionam pertence à área da vontade, e por isso podem ser qualificados de atitudes e disposições para o trabalho.

Há um terceiro grupo de habilidades que não se enquadra dentro das capacidades da inteligência ou da vontade.

Alguns as chamam habilidades políticas, porque se referem a capacidades de relação com as pessoas.

Podemos assim traçar um esquema simples como o ”Triângulo de capacidades do executivo”.

Dependendo do desenvolvimento de cada um dos lados do triângulo, as características do executivo serão mais ou menos equilibradas.

Quando o executivo possui um bom equilíbrio nesses três tipos de capacidades, o esquema resultará um triângulo equilátero.

O primeiro tipo de capacidades relaciona-se com a inteligência ou a razão e tem dois aspectos: a inteligência conceitual (a razão pura), e a inteligência experimental (a razão prática).

A primeira significa a capacidade de pensar bem de modo racional e seguindo a lógica, a análise e a síntese.

Além disto, permite chegar a elevados graus de abstração, fazer construções mentais e modelos para generalizar os casos concretos, e teorizar.

Com sentido prático, isto lhe permitirá construir alternativas estratégicas, isto é, um pensamento operativo completo que abarque tudo o que se deve fazer na empresa para levá-la a uma situação futura melhor em eficácia e justiça.

A inteligência prática está mais relacionada com a memória e permite acumular dados e informações.

Os empresários e executivos devem saber coisas, convém que conheçam técnicas e tecnologias, e retenham dados reais sobre o ambiente de sua organização.

O segundo grupo de capacidades está relacionado com a vontade e os valores.

Nele se evidencia de maneira clara aquilo que em certas ocasiões se chamou inclinações dos executivos.

A principal capacidade de que necessita um empresário ou executivo relacionada com a vontade é a fortaleza.

Isso significa ao mesmo tempo agressividade empreendedora e capacidade para sustentar com paciência e perseverança as posições conseguidas: árdua agredi sustinere é a definição de fortaleza: agredir o que é árduo e sustentá-lo.

Na dimensão empreendedora, é preciso mostrar qualidades que orientem a ação com coragem e grandeza.

O empresário ou executivo não pode ser nem pusilânime nem tacanho, mas deve estar disposto a pôr em jogo seu esforço, seu tempo e os meios necessários para levar avante a empresa.

Contudo, não deve transpor os umbrais da prudência, pois seria cair na temeridade e na prodigalidade.

A paciência, a tenacidade e a perseverança com afã de superação, sem ultrapassar os limites da pertinácia e da teimosia irrefletidas, serão os outros aspectos da fortaleza.

As atitudes relacionadas com os valores dependem muito do modo de ser de cada empresário, mas deve existir sempre uma orientação visando aos resultados, um senso econômico para medir bem a relação custo-eficácia e um grande sentido prático e direto para abordar os problemas.

O terceiro vértice do triângulo é o mais difícil de identificar.

Foi designado com a expressão habilidades políticas, porque representa algo que não está relacionado diretamente de forma clara nem com a vontade nem com o entendimento, parecendo mais uma habilidade.

Além disso, é provável que esta capacidade seja de certa forma inata, embora possa ser desenvolvida com o exercício e a experiência.

Das muitas capacidades que se podem citar, parecem mais importantes as descritas a seguir:

  • Capacidade para assumir riscos, isto é, para trabalhar com paz e sossego no meio das incertezas do ambiente e dos processos políticos.
  • Imaginação realista e criatividade, ou seja, capacidade para enfocar os problemas e os assuntos com uma luz original, que converte em novidade o que faz.
  • Confiança em si mesmo, em seus esquemas e ideias, de modo que seja capaz de defendê-los sempre.
  • Despertar a confiança e ter autoridade sobre os outros, não só pelo que diz e faz, mas também por seu atrativo pessoal, que está além do julgamento lógico.
  • Iniciativa para empreender, mantendo sempre a dianteira ao abordar os assuntos e os problemas.
  • Resposta pronta diante do inesperado, como se estivesse sempre esperando o que poderia acontecer, tendo sempre várias alternativas de reserva para pôr em jogo.
  • Bom relacionamento com as pessoas, a fim de simplificar os problemas, conseguindo que tudo pareça mais fácil.
  • Capacidade para enfrentar assuntos múltiplos, urgentes e diversos sem perder a serenidade e sabendo relacionar o heterogêneo e dar a cada coisa a atenção devida, como o jogador de xadrez em uma simultânea.
  • Certo senso de humor para evitar a dramatização nas situações aparentemente graves.
  • Habilidade para negociar, isto é, saber encontrar alternativas viáveis para achar a equivalência de posições heterogêneas, entre partes antagônicas.

Essas qualidades são muito importantes, constituindo uma base indispensável para o executivo situado na cúpula da hierarquia.

Algumas das capacidades incluídas nos outros dois grupos podem estar ausentes, porque é possível completá-las com executivos em posições de apoio.

Tal não pode porém, acontecer com as capacidades inatas, porque só aquele que as possui pode aspirar ocupar uma posição no vértice da empresa.

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Fonte: Barto Roig – Membro da European International Business Association, Bruxelas e professor de Política de Empresas no IESE.